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Zero Hora Sacaneou

Lamento muito a campanha difamatória que está sendo feita pela Zero Hora. Quando nós não sabemos a verdade, só nos resta acreditar ou não numa nota maliciosa numa coluna de jornal, mas quando temos certeza de que os dados foram manipulados, fica difícil acreditar em qualquer coisa publicada por um jornal. Na Zero Hora foi publicada hoje, dia 05 de novembro, uma nota da coluna da Dione Kuhn (interina da Rosane de Oliveira) que questiona o pagamento de 19,8 mil reais para o regente do Coral da empresa. Empresa esta que não tem a ver com cultura e que estranhamente gasta uma quantia destas em meio à uma crise financeira sem precedentes.
Respondo : Esta quantia, como não foi especificada na nota, foi entendida como mensal e não é. Estes valores são do ano de 2006 e oriundos de uma licitação rigorosamente dentro da lei que originou um contrato com uma pessoa jurídica. Este valor mensal foi de R$1.800,00 e deste valor, descontei os impostos( em torno de 12%) sobre a Nota Fiscal e o repasse de 50% como ajuda de custo para o preparador vocal.
Obs. Em 2007, na renovação do contrato, foi diminuído em comum acordo, em 50% o valor do contrato como esforço pessoal em diminuir gastos.
Uma empresa que trabalha com tecnologia da informação não tem nada a ver com cultura ??
O Coral da Procergs está completando 15 anos e foi mantido pela empresa e pelos funcionários. Muito pelo contrário, a Procergs tem tudo a ver com cultura !! Quem tem o mínimo de informação sabe que cultura além de arte é também educação, literatura, costumes, etc. e o que a Procergs já investiu ajudando a manter o coral foi muito além de notas musicais. Nestes anos ajudou a afirmar a identidade cultural do nosso estado dentro dele, em outros estados brasileiros (Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul) além de representar o Brasil em eventos corais na Argentina.
Já fui presidente da Federação de Coros do Rio Grande do Sul- Fecors e sei da importância que o canto coral tem como arte representativa da cultura do nosso estado. O Rio Grande do Sul é o estado brasileiro com mais tradição no canto coral e também o estado com uma entidade representativa de coros (federação ou associação) mais abrangente e forte. Só pode ser difícil de entender a Procergs manter um coral para quem pensa que a cultura não é essencial numa sociedade .

Manuel Figueiredo de Abreu,
Regente Coral


Comentários

Clarissa — 06 November 2007, 09:26

Fico muito triste com essa barbaridade!

O que podemos fazer? Podemos redigir uma nota para colocar no jornal mostrando os dados reais? Cabe ao Coral Procergs esclarecer isso, ou a Procergs?

Se antes eu não acreditava muito na Zero Hora, depois dessa vou intensificar a minha campanha contra esse jornal parcial e mentiroso!

Acho que o mínimo que cada um de nós pode fazer é simplemente não comprar mais esse jornal, alternativas existem! Se cada um de nós fizer a sua parte já é um começo.

Clarissa Marquezan (Indignada!)

Leonardo ( perplexo e enojado ) — 06 November 2007, 12:30

Hoje à tarde vou comparecer a uma reunião com a Câmara de Gestão da Companhia, com a presença do Presidente. Fui convocado oficialmente.
Na Zero Hora de hoje, página 10, tem mais a respeito ... mais desta barbaridade ...

A ZH ligou lá para casa ontem ! Publicaram uma entrevista comigo. Não temos muito o que fazer a não ser mandar email para nossos amigos e esses aos seus amigos contanto a verdade.

Copiem e colem o texto do Manuel e mandem para todos.

Darei notícias

Simone — 06 November 2007, 12:55

Ai gente, hj a primeira coisa que vieram me falar assim que acordei era sobre o nosso Coral na ZH! Fui correndo ler. Quem me deu a notícia foi meu pai, e eu indignada lendo e falando pra ele o que realmente ocorre, e não aquela falcatrua do jornal!!!!! Poxa, tinha que sobrar logo pro Coral??? Quase não acreditei! Todo nosso empenho para representar bem essa empresa é assim que tudo acontece... Acho que nós temos que fazer algo, não sei bem o que ainda, mas temos que fazer, isso é certo! Manú, gostei muito das tuas palavras!!!! Assim como a Clá, tbém estou indignada! Abraços

Jairo — 06 November 2007, 13:46

É isto aí Manu!!! vendo o que foi publicado que vc vê como são as notícias... são despejadas para os leitores, de qualquer maneira... levando a interpretações mais variáveis possíveis... vamos continuar lendo jornais que publicam notícias distorcidas??? qual é a minha garantia de que estou lendo notícias verdadeiras e não manipuladas???
Por enquanto, um grande abraço a todos!!

Vera — 06 November 2007, 14:21

Gentes queridas!
Não tenho palavras pra demontrar a minha indiginação, mais o que eu puder fazer aqui na FECORS já estou fazendo, divulgando a todos o texto do Manuel, na próxima semana o Atos, vai redigir um texto para mandar a todos os agentes de divulgação. Gente temos de comprar esta briga, afinal de contas, o que foi divulgado não é verdade e somos o Coral Procergs unidos sempre.
Bjs Vera

Luís Cláudio — 06 November 2007, 15:40

Amigos e amigas,
desde que a ZH começou a dar enfoque no relatório da Cage sobre a Procergs que eu estava achando que mais cedo ou mais tarde iriam questionar os gastos da companhia com o coral.

Mas, realmente, o tratamento dado pelo jornal, incluindo a notícia dentro da área de "Corrupção", é algo imperdoável.

Tempos negros para a cultura, esse que vivemos no estado.

Leonardo — 06 November 2007, 16:07

Original Message -----

From: Fecors
To: Undisclosed-Recipient:;
Sent: Tuesday, November 06, 2007 4:12 PM
Subject: ZH - inimiga do Canto Coral

Prezados amigos da Canto Coral.
O jornal Zero Hora se mete onde não é chamado. A seguir, transcrevo mensagem do Maestro Manuel Abreu, tecendo comentários sobre a matéria maliciosa e difamatória contra a PROCERGS e seu grupo de cantores do Coral.
Não podemos tolerar uma jornalista inescrupulosa, inconsequente e descomprometida com o bem estar do povo gaúcho. Investir e fomentar atividades artísticas, pelo menos em nosso estado - berço do canto coral no Brasil, não deveria ser visto como favor, mas obrigação de todos: povo, poderes públicos e privados.
Não vamos aceitar opiniões desprovidas de bom senso, ou senso comum. Quando os Srs. e Sras. Jornalistas quiserem saber e divulgar algo sobre essa grande classe que somos, pois eles que nos perguntem, e teremos o maior prazer em informar-lhes o que já deveriam saber: que o Gaúcho é um povo que canta, e assim continuará sendo.
De nossa parte, aproveitamos o ensejo para enviar cordiais saudações à Diretoria da PROCERGS. Agradecemos, penhoradamente, o apoio que vem sendo dado ao povo gaúcho, através dos relevantes serviços prestados por essa Companhia, e especialmente por manter um Coro de vozes de tão alto nível técnico.

Saudações a todos.

Atos Flores - Maestro
Presidente da FECORS

Leonardo — 06 November 2007, 16:10

Tenho recebido durante o dia mensagens siceras de colegas indiginados com tudo isto. Reforçando a fé no nosso trabalho e nos parabenizando !

Keila — 06 November 2007, 18:40

Meus amigos!
Se todos soubessem que o nosso coral é uma alegria para toda a empresa eles ñ falariam essas barbaridades.
Devemos nos unir e mostrar o nosso trabalho que faz 15 anos e se não foze os nosso esforços e dos colegas da empresa nos não estariamos aonde estamos hoje.
Abraço a todos
Amo Voces

Leonardo — 06 November 2007, 18:53

A reunião não saiu ainda.

Elfos, Homens e Anões juntam-se a nós contra o ZHauron e certamente juntos traremos calma à terra-média novamente ... parece que as "nuvens negras vindas de Mordor" estão se dissipando, lentamente.

Abraço em todos.

Simone — 06 November 2007, 20:11

Muito boa essa Léo, pelo menos me fez rir... bjo

Enoe — 07 November 2007, 02:00

ABAIXO ESTA NOTA QUE A GLORIA MANDOU A TODOS OS SEUS COLEGAS E AMIGOS.

" Prezados amigos!
Face à esse absurdo, quero colocar minha posição primeiro como coralista que desde 1993 participo do CORAL PROCERGS, segundo como PROFESSORA ( de Física, Matemática e Computação formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul), ministrando aulas desde 1969 na escola Estadual Infante Dom Henrique ( durante 25 anos), na Escola Estadual Paula Soares ( durante 12 anos) no Colégio de APLICAÇÃO da UFRGS ( durante 7 anos), na Universidade do Vale do Rio Dos Sinos ( durante 12 anos, também atuando como Coordenadora de cursos de graduação, como Chefe de departamento da Ciência da Computação, como supervisora de Estágios), no Centro universitário La salle ( durante 7 anos), na Coordenação da Academia Nacional de Segurança, além de participar em Congressos, palestras, vários cursos de extensão realizados na Pontifícia Universidade Católica do RGS e atualmente Formanda em Filosofia pelo Centro Universitário IPA Metodista, quero expressar meu TOTAL ESPANTO, ao LER uma perfeita IMBECILIDADE de TAMANHO PORTE como esta, impressa por um veículo de comunicações, o qual deveria ser coerente, educativo, sério e publicar matérias ressaltando VALORES MORAIS E CULTURAIS, os quais devem ser os pilares de sustentação de uma sociedade e infelizmente tão em desuso.
Se a PROCERGS não pode investir em cultura, o que se deve dizer dos investimentos feitos por empresas como ZAFFARI, TIMM, e outras mais que investem em CONCERTOS, SHOWS, BANDAS, BALES,etc e até mesmo o governo do Estado quando investe em eventos eminentemente culturais? O que dizer dos investimentos feitos para o MULTI PALCO, com apoio total do GOVERNO FEDERAL, através da RECEITA FEDERAL? Porque tais investimentos não são bombardeados nem acusados de DESVIAR os impostos DOS CONTRIBUINTES.
Como CONTRIBUINTE, como MEMBRO PARTICIPANTE de nossa sociedade e PRINCIPALMENTE COMO EDUCADORA, concordo com os filósofos que dizem ESTAMOS NA ERA DO VAZIO, NA ERA DA DESVALORIZAÇÃO DOS PRINCÍPIOS MORAIS e dos ÚNICOS QUE NOS DISTINGUEM DOS ANIMAIS, o uso da INTELIGÊNCIA, o uso do RACIOCÍNIO.
É A ausência da ÉTICA PROFISSIONAL que faz um "SER" humano usar a sua ferramenta de trabalho para TENTAR DESMORALIZAR E DESVALORIZAR um trabalho realizado por profissionais dedicados e que sabem o que estão fazendo, ainda mais nesta área musical, uma das mais antigas ARTES GREGAS, herdadas pela nossa civilização e agora AMARROTADA,
ESPEZINHADA, AVILTADA por alguém que não sabe do que fala.
Aproveito este espaço para AFIRMAR que tal pessoa ( pena!) não fez parte dos meus pupilos, os quais, levei várias vezes para assistir a Orquestra Sinfônica-OSPA e apresentações de Corais e peças Teatrais, ensinando que um POVO se distingue, através de sua cultura, sua moral, sua HONESTIDADE.

Autorizo aos meus amigos que divulguem estas minhas colocações a quem quiser e a quem precisar lê-las.

      ABRAÇOS

 Gloria Maria Chagas da Rosa
 CI: 8009162622
 FONE: 3331-9227"
Manuel — 07 November 2007, 10:30

É isso aí !! Está só começando !! Estou recebendo manifestações a favor de muita gente legal e mais legal ainda da nossa gente !!!
Léo : O Coral da Procergs é o " my precious" que pode dar vida longa prá quem é do bem, mas pode se transformar numa arma destrutiva para os discípulos de ZHuron !! Espero que não tenhamos que destruir o "my precious" prá erradicar o mal da terra média.
Obs. Se o meu salário fosse realmente 19 mil por mês, talvez eu me transformasse no Gollum !!!! (hehehehe)

Cesar — 07 November 2007, 11:26

O que foi dito já esta dito, só que acho que deu zebra pois muita gente boa se manifestou demonstrando que não é boi de boiada, e graças a deus ainda tem o poder da interpretação e da capacidade de duvidar de algumas coisas que são ditas e escritas mesmo quando as mesma são definidas pelos todos poderosos senhores da opinião pública oficial diga-se RBS!!!
obs.: Alguém esta lendo algo parecido no restante da mídia gaúcha com relação a PROCERGS ???? Ai tem né..., buenos no sábado daremos a resposta, felizmente fazendo aquilo que melhor sabemos fazer que é Cantar encantando !!!!!!

Marcito da Viola (indignado) — 07 November 2007, 13:02

CORAL PROCERGS OMNIA VINCIT

Meus queridos, como vocês estou perplexo com toda essa barbárie! Há uns dias atrás vi de relance uma entrevista com o antigo diretor da Procergs, o Sr. Pacheco, na TVCOM explicando alguns atos de sua administração. Na hora pensei: "Tomara que não sobre pro Coral"... Dito e feito.
Isso não vai ficar assim. Essa INFELIZ que escreve na também INFELIZ Zero Hora, não tem o direito de questionar (mentiras, ainda por cima) sobre a nossa segunda família (CORAL PROCERGS). É inadmissível que isso fique assim.
Estou chocado, indignado e pasmo com toda essa babozeira que esse jornaleco insiste em veicular.
Manuel, todo o meu apoio!
Como eu disse no início:
CORAL PROCERGS OMNIA VINCIT

PS - Mamma Glória, seu texto é digno de um tapa de luvas! Bjs

Vera — 07 November 2007, 15:02

Léo.
A FECORS e eu colocamo-nos a favor do Coro da PROCERGS, para qualquer divulgação.
Espero que as nuvens negras se dissipem o quanto antes, pois só o bem pode prevalecer na nossa família CORAL PROCERGS.
Bjs
Vera

Edemar — 07 November 2007, 15:36

Caros colegas, ainda estou perplexo com o que lí. Felizmente não são poucas as pessoas que ficaram, e ainda estão indignadas com a declaração desta pseudo-jornalista, digo ainda, a insignificância deste "ser" deve ser tamanha que somente assim, usando este tipo de declaração é lembrada.
Estou enviando para meus contatos essas declarações de apoio que recebemos, assim imagino contribuir para a dissipação deste fato.
Grande abraço a todos

Vera — 07 November 2007, 15:40

Gentes queridas!
Este ser,da zh, não sabe onde, nem com quem ela foi meter o bedelho, agora aguenta.
Bjs
Vera

Luís Cláudio — 07 November 2007, 17:09

Léo,
tá muito boa a página inicial com aqueles depoimentos.
Mas eu acho que seria necessário que as pessoas chegassem lá (ou seja, tem que atualizar o google). O endereço do coral para o mundo exterior continua sendo www.procergs.com.br/coral/

Abraços!

Leonardo — 08 November 2007, 08:55

Liberei a divulgação no google. Vamos agora dar um tempo até aparecer.

Abraço.

Vivi — 08 November 2007, 10:55

Cansados de ficar em guanandizões? Exaustos de implorar por desconto no valor do "PF"? Cansados de viajar em ônibus com barata? Nossos problemas acabaram!!! Agora com um regente riquerésimo, que ganha 19,8 mil por mês poderemos ter o nosso tão sonhado padrão pop star! Viajaremos a Jaguarão em um avião fretado, e ficaremos hospedados em quartos privativos em um hotel de 5 estrelas, comeremos caviar e beberemos champanhe, e nosso camarim terá à disposição trinta toalhas brancas para cada um e um buffet variado de frutas tropicais. Ainda teremos serviço de barman, massagistas, maquiadores e cabelereiros, para que entremos no palco gloriosos. Esqueci de alguma coisa gente? :)

Cesar — 08 November 2007, 12:01

É isto ai VIVI, sempre é melhor sorrir , valeu !!!

Leonardo — 08 November 2007, 12:13

Felizmente não nos falta talento nem valores morais. E, pelo menos internamente, o "tiro saiu pela culatra". Fizemos campanha para novos colaboradores e muitos colegas engajaram-se. Temos recebido a cada dia mais amigos colaborando assim como a rifa que está sendo bem aceita.

Ah! E hoje ... mais feliz que ontem !

Bjão.

Loraci — 08 November 2007, 12:43

fiquei muito irada com o que foi publicado ,mas eles esqueceram de mostrar como é mantida o coral da assembleia por exemplo, e outros que são do estado , que ai sim tem desvio de verba é que este somos nós que pagamos,

Clarissa — 08 November 2007, 13:37

Oii,

Bom, vocês sabem que sou chorona mesmo, e agora estou emocionada com os depoimentos das pessoas em nosso favor!

Por isso quero dizer que mais do que nunca vou cantar com alma hj na prova do Francis e mais do que nunca no sábado, mostrando que o trabalho que fazemos é importante! E que se estamos ali não é por dinheiro, mas sim porque amamos o que fazemos!

Que esses idiotas que não tem sensibilidade de perceber a grandeza do investimento em cultura fiquem perplexos diante da nossa qualidade musical!!!

Abraços emocionados!

Clarissa Marquezan

Bruno — 08 November 2007, 14:12

Oi pessoal, recebi esse comentário sobre o filme "Tropa de Elite", acho que as conclusões podem ser perfeitamente transpostas para o episódio do comentário da ZH sobre o coral.

BERNARDO CARVALHO

''Fracasso do pensamento

Num mundo em que o jornalismo substitui a filosofia, é lógico que o bom senso não tem vez
UM MUNDO sem reflexão, onde a violência da realidade obriga o sujeito a deixar de pensar para agir, cedendo ao senso comum, ao simplismo e ao pragmatismo cínico, recorrendo ao preconceito e a ações impensadas que antes ele condenava, quando essa mesma realidade ainda não o atingia diretamente e ele podia repetir belas teorias da boca para fora, não é um mundo menos hipócrita (como alguns gostariam), é um mundo pior. Um mundo sem arte (no qual a arte, aceitando a pecha de ilusão e perfumaria, cede ao consenso da realidade e passa a funcionar como jornalismo e sociologia) também.
É nesse mundo desiludido que a representação de jovens tolos e inconseqüentes, repetindo Foucault da boca para fora, para acabar quebrando a cara na prática contraditória do trato direto com a realidade nua e crua, passa a ter um efeito catártico junto a platéias em busca de um bode expiatório.
É desse mundo (o do fracasso do pensamento) que trata "Tropa de Elite": onde só é permitido escapar à violência (e deixar de ser violento) fora da realidade -tudo o que o capitão Nascimento quer, ou diz querer, é sair desse mundo (onde quem pára para pensar morre), para poder cuidar em paz do filho e da família.
Gostei do filme, embora tivesse preferido o longa-metragem anterior de José Padilha, o documentário "Ônibus 174". Não acho o filme fascista. Mas é inegável que, como qualquer representação da realidade, ele tem um discurso (que não é exatamente o mesmo do capitão Nascimento), a despeito de dizer que se limita a mostrar a realidade. E não é um discurso novo. É o discurso de um realismo funcional que volta e meia reaparece para dizer que a realidade é o que é. E que só os fatos (ali representados) contam.
Num mundo em que o jornalismo substitui a filosofia (e em que a arte se esconde como discurso para se apresentar como espelho de uma realidade unívoca), é lógico que o bom senso não tem vez. A demagogia e a ira, sim. É preto no branco. Produção de subjetividade é coisa de elite irresponsável. Aqui, nós tratamos de fatos objetivos.
Com o desbaratamento das idéias, este passa a ser um mundo de polarizações em torno de questões simplistas e indiscutíveis. Não se produz pensamento; tomam-se partidos. Vozes da ponderação e do conhecimento de causa -como a de Alba Zaluar, que exercita o bom senso semanalmente e sem maiores alardes nas páginas deste jornal- vão se tornando inaudíveis em meio ao bruaá dos lugares-comuns estridentes. O bom senso não aparece, porque não tem graça nem dá manchete. As idéias foram reduzidas a representações sociais. Basta que cada um fale e seja reconhecido como representante do seu grupo social (e que muitas vezes se aproveite disso para respaldar a banalidade ou a demagogia do que diz). O que conta não é o teor das idéias (em geral, as mais simplistas), mas que sirvam para identificar o lugar social de quem as manifesta no campo de batalha. Essa aparente desordem apenas encobre uma ordem geral, o consenso em torno da realidade como um campo de forças autônomo, um teatro de ação e reação, imune à reflexão e à inteligência.
Foi em meio a esse contexto que bati com os olhos na recém-publicada edição espanhola dos artigos e palestras do dramaturgo francês Enzo Cormann: "Para que Serve o Teatro?" (Universidade de Valência). Na conferência de 2001 que dá título à coletânea, o autor diz que o teatro (e de resto toda arte que se preze), por ser reflexão, "consiste em reinjetar subjetividade num corpo social entrevado pelo uniforme demasiado estreito do pragmatismo econômico" -ou (por que não?) do realismo oportunista que reivindica para si uma pretensa objetividade, condenando ao mesmo tempo toda produção subjetiva à impotência e ao ridículo, como se dela não fizesse parte.
Em nome de uma representação unívoca da realidade, o discurso embutido em "Tropa de Elite" (que não se assume como discurso) limita a própria possibilidade de produção de subjetividade a quem está fora desse mundo, ao diletantismo ridicularizado de estudantes inconseqüentes. Ao associar a produção de subjetividade aos ricos, aos tolos e aos irresponsáveis, como se tampouco estivesse produzindo subjetividade, o filme acaba, provavelmente sem perceber, dando um tiro no próprio pé, pois contribui para estreitar o entendimento do que num passado não muito remoto, e graças ao esforço e à resistência de grandes cineastas, garantiu ao cinema um lugar entre as artes, justamente como produção de subjetividade''.

Me parece, observando de longe a histeria que foi criada, que o mesmo vale para a infeliz jornalista: o "uniforme demasiado estreito" é este desespero para tirar o estado da crise, e a produção subjetiva (musical,no nosso caso) deve ser "condenada à impotência e ao ridículo". A "produção de subjetividade" não é possível em empresas sem vínculo direto com a cultura, estando limitada ao "diletantismo ridicularizado de estudantes inconseqüentes".

PEDE PRA SAIR, DIONE!

Abraços filosóficos
Bruno Collischonn

Leonardo — 09 November 2007, 12:02

Muito bom Bruno. De lenta digestão ( hehe ) mas muito bom ! Um abraço pra ti !!!

Cesar — 09 November 2007, 12:18

Bruno é isto ai, meu larga estes postos de gasolina hein ou não né !!!!!
Um abração cara !
Eu Odione ela também cara !

Vivi — 09 November 2007, 15:14

Eu tb Odione ela!




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